O desequilíbrio do ego e sua influência nas organizações

Braulio Lalau de Carvalho

Veja como identificar comportamentos egoístas e difundir uma cultura de colaboração e crescimento contínuo

O sonho de todos os CEOs e gestores é poder contar com profissionais em suas equipes que tenham um perfil proativo, reconheçam seus pontos positivos e confiem na qualidade de seu trabalho, afinal de contas, estes são alguns dos principais atributos de um líder e, transmitir uma cultura de liderança dentro de uma organização é fundamental para que as operações de uma empresa sejam realizadas de modo mais ágil e os objetivos do negócio sejam conquistados.

Entretanto, como tudo na vida, é importante estabelecer aqui algumas distinções. Uma coisa, por exemplo, é um colaborador confiante e motivado, que transmite esse espírito extremamente positivo para os seus colegas. Outra, que vai em uma direção oposta, são aqueles funcionários que, por vaidade ou imodéstia, tem dificuldades de colaborar com outros membros da equipe ou de ouvir opiniões até mesmo de seus líderes.

Do mesmo modo, há uma diferença fundamental entre alguém que reconhece seu valor para uma organização e uma pessoa que só enxerga valores positivos em si mesma – ou seja, incapaz de uma autocrítica que lhe permita evoluir de modo contínuo – ou alguém com desejo de crescimento em sua carreira para outro que, por excesso de ambição, não mede as consequências de seu comportamento e pode interferir no crescimento de um colega.

Faço essa introdução para tratar de um problema grave que ocorre com frequência no ambiente corporativo: o desequilíbrio no ego. Egoísmo, falta de empatia e excesso de vaidade podem – e trazem – impactos para qualquer organização. Neste artigo, compilo alguns dos principais e comento de que modo acredito que devemos agir para evitar que estes valores negativos se propagem em nossas empresas.

01. Equipes desunidas e falta de visão colaborativa

Primeiramente, um colaborador que tende a se comportar de modo muito egocêntrico tende a propagar um comportamento pouco colaborativo, baseado somente na competição interna e não em uma visão integrada do negócio.

O grande problema é que esta postura, quando não combatida de modo franco pelos gestores, pode acabar se espalhando por toda a empresa, fator que acaba por gerar equipes desunidas, com objetivos desalinhados e atuando como se estivessem em realidades opostas.

02. Problemas de empatia, falta de diálogo e falhas em processos de inovação

Outra consequência direta de um excesso de ego no comportamento de colaboradores são os problemas de empatia, de saber se colocar no lugar do outro, fatores estes que, sem dúvidas, afetam o diálogo na resolução de problemas internos e até mesmo na condução de projetos ou no processo de tomada de decisões dentro de uma equipe.

Em caráter final, tudo isso pode comprometer, inclusive, os caminhos de inovação de uma empresa, uma vez que um dos principais sustentáculos de um ambiente inovador é, justamente, a possiblidade do compartilhamento de ideias, troca de opiniões e senso colaborativo.

03. Capacidade de julgamento comprometida

Finalmente, o profissional egocêntrico não só tem dificuldades de reconhecer suas falhas e estar pronto para buscar corrigi-las, como também pode ter sua capacidade de julgamento comprometida, falhando na avaliação de colegas graças a sua visão por demais autocentrada. Por isso mesmo, funcionários com excesso de ego são péssimos líderes e gestores, os quais devem ser os primeiros a se colocarem sempre prontos para aprender, para ouvir o outro e saber reconhecer bons trabalhos feitos em prol do crescimento da organização.

Qual o papel do gestor neste cenário?

Sem dúvidas, lidar com profissionais com egos em desequilíbrio é um desafio bastante complexo, sobretudo porque, tais colaboradores, tendem a ser avessos a críticas ou mesmo dicas de como melhorar sua postura dentro da empresa.

Isso não quer que o desafio seja impossível e que a solução sempre seja o corte daquele funcionário – até porque, como todo profissional, ele pode contar com virtudes importantes para o seu negócio. Neste sentindo, dependendo do valor que aquele funcionário tem para a organização, alguns passos possam ser tomados em prol de transformarmos a postura do colaborador.

Para tanto, precisamos, primeiramente, notar algum desejo de mudança, mesmo que surja com resistência. O real interesse em trabalhar é o ego é a etapa mais importante para que um indivíduo se torne mais colaborativo e empático.

Identificado o interesse, o líder pode iniciar um processo de feedbacks e de orientação mais individualizada, visando que o colaborador amplie a perspectiva sob si mesmo e tenha postura de maior aceitação do outro, disposto a interagir positivamente com colegas e a construir ações em conjunto.

Por fim, é preciso reforçar na sua empresa, a ideia de colaboração e de busca contínua por conhecimento, demonstrando que, por trás de todo profissional bem-sucedido, existe alguém disposto a sempre aprender.

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